domingo, outubro 04, 2015

Eleições legislativas portuguesas de 4 de Outubro de 2015: comentário

Quando faltam contar os votos dos emigrantes, com 4 mandatos por atribuir, mas que já sem influência na questão da maioria absoluta... penso o seguinte:

PSD e PP juntos tiveram menos votos, menor percentagem e deputados que em 2011:
104 deputados (2011: 105, PSD; 24, PP = 129 deputados)... uma perda de 25 deputados!
38,58% (PSD: 38,63%; PP: 11,74% = 50,37%)... um recuo de mais de 10% dos votos!

A coligação de direita, PàF (PPD/PSD e CDS-PP) ganhou estas eleições com maioria relativa e será, naturalmente, chamada a formar Governo pelo Presidente da República... mas necessita do apoio da maioria absoluta do votos na Assembleia da República ara ser Governo... assim, resta-lhe negociar com os partidos com representação parlamentar o apoio para governar. 
E aqui começa problema...

Que partido viabilizaria este acordo? PS? 
BE? CDU? PAN (só elegeu um deputado pelo que não chega)

Não tendo apoio maioritário, o PR tem de chamar a formar Governo PS... já que sempre defendeu um Governo com apoio maioritário na AR...

Sendo assim, o PS deverá reunir-se com o BE e com a CDU para esse fim, e formar um Governo com o apoio parlamentar das três forças políticas... o que pode passar pela atribuição de dois cargos de vice-primeiros-ministros, um ao BE e outro à CDU, com vários ministros e secretários de estado desdes partidos à esquerda do PS... obviamente passando por um programa de Governo conjunto, não sem dificuldades de conciliação, mas que terá que ser tentado... é a oportunidade do PS regressar ao Governo, liderando uma coligação (pós-eleitoral) de esquerda pela primeira vez em Portugal, a oportunidade de BE e CDU, formarem parte dum Governo,

Votação escassa do PS, que mesmo subindo em votos, em percentagem e em mandatos em relação a 2011 (onde obteve um dos piores resultados de sempre), contra um mau Governo muito mau seria se não recuperass algo do seu eleitorado! O PS ganhou em 7 círculos eleitorais. 
Neste quadro, o PS que sempre se bate por ganhar as eleições e cujo líder António Costa chegou a pedir a maioria... ABSOLUTA... resta-lhe demitir-se, até porque na disputa interna com o anterior secretário-geral do PS, António José Seguro, disse que depois de o PS GANHAR as europeias, que não bastava ao PS ganhar por pouco... e agora que nem ganhou por pouco, mas PERDEU...

António Costa disse que não se ia demitir... também Pedro Santana Lopes quando teve um resultado históricamente mau pelo PSD... mas lá teve de ser... não saiu pelo próprio pé teve de ser ajudado.

Resultado histórico e surpreendente pelos números do BE, passa de 8 para 19 deputados, duplica a percentagem de votos, ultrapassa os 500 mil votos e torna-se na terceira representação parlamentar... superando o máximo histórico de 2009 com 9,8%.

A CDU melhora o resultado face a 2011, aumento de votos (mesmo com o aumento da abstenção), aumento percentual e aumento de deputados, de 16 para 17. O melhor resultado dos últimos 20 anos...

À esquerda do PS, temos 18,5% dos votos e 38 deputados. Um resultado histórico. 
Nunca CDU e BE juntos tinham alcançado tantos votos.
O voto útil à esquerda não funcionou...

Parabéns ao PAN pela eleição pela primeira vez dum deputado.

Grande desilusão do PDR e do Livre.

O votos votos nulos aumentaram, os brancos desceram.

A abstenção chegou aos 43,07%, superior à de 2011.

Se toma posse um Governo minoritário PSD com o PP, será um Governo a prazo, que cairá com uma moção de censura vinda de qualquer força da esquerda...

O bipartidarismo (PS e PSD) e os "partidos do arco do poder" (PS, PSD e PP)...
Nunca este conjunto de três partidos (PS, PSD e PP) tivera em eleições legislativas desde 1975, um conjunto de votos inferior a 70%, excepção feita às eleições de 1985, quando entrou em cena o PRD, mais normalmente PS e PSD juntos normalmente ultrapassam os 75% dos votos.

Curiosidade:
Face a 2011, o PS subiu, a CDU também, a abstenção aumentou, só o PSD e o PP baixaram... quem foram os 5% extra que votaram no BE... eleitores dp PSD e do PP!?

Como militante do Partido Socialista desde 1994 defendo o seguinte:
Demissão de António Costa e marcação imediata de eleições internas. 
Demissão de todas os secretariados federativos distritais do PS em cujo círuculo eleitoral o PS não tenha ganho a eleição.

Falhada a esperada formação de um Governo de maioria liderado por Pedro Passos Coelho... 
Defendo a escolha de Jorge Sampaio para chefiar um Governo de esquerda com um acordo de incidêcia parlamentar e integrando no Governo PS, BE e CDU. 
Desde já deverá haver lugar a negociações do PS, com o BE e a CDU.
O antigo secretário-geral do PS, foi presidente do Grupo Parlamentar do PS, duas vezes PR, duas vezese eleito numa coligação da esquerda "Por Lisboa" (PS, PCP, Os Verdes, os dois partidos integrantes da CDU e MDP/CDE, UDP e PSR, estes três últimos partidos fundadores do BE) como Presidente da Câmara Municipal de Lisboa... têm a experiencia e a credibilidade para ser o escolhido e é o nome que teria o apoio de toda a esquerda para um Governo de esquerda, já o apoiou em Lisboa e já votou nele nas eleições presidenciais. 
Não tem de ser líder do PS, nem ter sido eleito deputado para este fim. 
Não vejo outro nome com experiência e gerador de consensos como J. Sampaio.

PS, mas sobretudo o BE e a CDU, devem aproveitar esta oportunidade histórica para fazer no Governo o que anos a fio apregoam na oposição... que outra política é possível.
PS, CDU e BE, terão de ceder cada um nalguma coisa, para todos ganharem algo.

Na eventualidade de qualquer coligação pós-eleitoral, acordo de incidência parlamentar, ou entrada num governo da direita, com o PSD e o PP que reúna o apoio do PS... tomarei a decisão, que quem me conhece, advinhará.

Devemos saber perder e saber ganhar, assim os agentes políticos devem ser coerentes com o que afirmaram em camanha eleitorial.

Os resultados eleitorais: 

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domingo, junho 05, 2011

Eleições legislativas Portugal 2011: resultados eleitorais

Resultados eleitorais das Eleições para a Assembleia da República de 5 de Junho de 2011:

2011 2009

% Deputados % Deputados

PSD……....… 38,63% (105) ---- 29,09% (78)

PS……..…..... 28,05% (73) ---- 36,56% (96)

CDS-PP....… 11,74% (24) ---- 10,46% (21)

PCP-PEV…… 7,94% (16) ---- 7,88% (15)

BE……..…...…. 5,19% (8) ---- 9,85% (16)

PCTP/MRPP.. 1,13% (0) ----- 0,93% (0)

PAN……..….... 1,04% (0) ----- Não concorreu

MPT…….….... 0,41% (0) ----- 0,21% com PH (0)

MEP……..…... 0,39% (0) ----- 0,45% (0)

PNR……..….... 0,32% (0) ----- 0,21% (0)

PTP………...... 0,30% (0) ----- 0,08% (0)

PPM……....… 0,27% (0) ------ 0,27% (0)

PND…….…... 0,21% (0) ------- 0,38% (0)

PPV……...….. 0,15% (0) ------ 0,15% (0)

POUS…...….. 0,08% (0) ------0,08% (0)

PDA……….... 0,08% (0) ------ Não concorreu

PH……….….. 0,06%(0) ------ 0,21% com MPT (0)

Brancos ..... 2,67% ----- 1,75%

Nulos ......... 1,36% ----- 1,31%

Abstenção..... 41,10% ------ 39,46%

A Direita ganhou as eleições, com uma coligação pós-eleitoral PSD/PP a governar o país.

PSD, PP e PCP-PEV, votos brancos, nulos e abstenção sobem PS e BE descem, PCTP e PAN ficam à beira de eleger um deputado.

Sobre a abstenção: não está na hora de resolver o problema dos eleitores fantasmas? Sabem quantos são, resolva-se o problema. Aumentaria a legitimidade e a representatividade dos eleitos e não colocaria problemas de validade em termos de futuros referendos. Não é pouco!

Volta-se a falar numa revisão constitucional, cá estaremos prontos para a discussão das propostas, quando estiverem em cima da mesa, sendo certo que para que isso aconteça o PS terá de se aliar à Direita para fazer os 2/3 na AR, a ver vamos...

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sexta-feira, junho 03, 2011

Breves notas sobre uma campanha eleitoral: eleições legislativas Portugal 2011

Eleição da Assembleia da República - 5 de Junho de 2011, as candidaturas admitidas:

BE. Bloco de Esquerda

CDS-PP CDS - Partido Popular

MEP Movimento Esperança Portugal

MPT Partido da Terra

P.H. Partido Humanista

PAN Partido Pelos Animais e Pela Natureza

PCP-PEV CDU - Coligação Democrática Unitária

PDA Partido Democrático do Atlântico

PND Nova Democracia

PNR Partido Nacional Renovador

POUS Partido Operário de Unidade Socialista

PPD/PSD Partido Social Democrata

PPM Partido Popular Monárquico

PPV Portugal pro Vida

PS Partido Socialista

PTP Partido Trabalhista Português

Um total de 17 partidos ou coligações, ainda que nem todos sem apresentem em todos os círculos eleitorais.

Tempos de antena
A lei eleitoral portuguesa garante (e bem, nem aceitariamos cenário diferente) tempos de antenas nas televisões e nas rádios a todas as listas candidatas.
É um direito, garante um mínimo dos mínimos aos pequenos partidos com parcos meios para a campanha... e é aqui que me quero centrar... alguns pequenos partidos, sem dinheiro para grandes cartazes, nem brindes, nem folhetos, visibilidade mediática, nem apoiantes para encher grandes comícios deveriam fazer uma aposta substancial aqui... no entanto alguns, por falta de meios humanos ou económicos, não sabemos desperdiçam os mesmos não transmitindo os seus tempos de antena... não entendemos!!!

Debates
Alguns, cedendo ao mediatismo, acham que só devia haver debate entre os partidos parlamentares, alguns vão mais longe e defende que só deveriam debater os líderes de PSD e PS, outros que deveriam ser debates a dois todos contra todos... com 17 partidos é impraticável.
A ser pensado numa próxima campanha eleitoral, o que defendo?
Um debate em simultâneo nas três televisões generalistas em sinal aberto ou três debates, um em cada uma delas com todos os partidos, um debate alargado em termos de tempo, de 2 horas! Ou a Democracia não é mais importante do que o mediatismo? Depois que se fizessem as entrevistas a cada candidato, os frente a frentes com os candidatos parlamentares, independentemente de mais alguns tipos de debates.
Dois pequenos partidos ganharam uma batalha judicial nesta campanha... um deles faltou aos debates!!!???

Dia de reflexão
Alguns contestam este dia, eu defendo-o.
Depois de 15 dias de campanha, de uma pré-campanha com outros tantos, um dia para pensar nas propostas, sem pressão, sem gritos de altifalantes ou buzinadelas... não se trata de menorizar o eleitor, como alguém defende, não gostaria de ver entrega de propaganda eleitoral à porta das mesas de voto... alguém vê utilidade nisso?

Quais as opções?
Votar à direita, esquerda, centro ou outra coisa qualquer...
Votar apoiando o acordo/memorando da troika/triunvirato, apoiar a renegociação da dívida ou até o não pagamos...
Voltar por Portugal de vocação europeia, de vocação atlântica, num Portugal lusófono, dando importância a tudo isto ou num Portugal isolado...
Votar pelos serviços públicos de qualidade e ao seviço de todos ou votar num Estado minimalista e em que pague quem pode com o Estado a subsidiar os privados...
Votar por terceiro referendo à despenalização do aborto ou pelo melhoria da aplicação da actual lei...
Votar por que se cumpra finalmente uma regionalização, num processo bem debatido, construído de baixo para cima, bem explicado, cumprindo a Constituição ou enterrar de vez a Regionalização porque ao fim e ao cabo os cidadãos não merecem nem necessitam de representantes regionais democraticamente eleitos...
Votar por uma redução de Ministérios, o da Cultura incluída... ao mesmo tempo que se cria uma Secretaria de Estado para o Idoso e se cria um Super-Ministério da Administração Interna ou então afirmar a importância da Cultura, mantendo este Ministério, sem querer desprezar a importância da Segurança mas não a sobrevalorizar...

Pluralismo
A cobertura jornalística deve ir de encontro ao que existe, se um partido quase não tem iniciativas não poderá fazer-se cobertura do que não existe, parece óbvio, no entanto, reiteradamente, preterir uns em função de outros, preferir uns em detrimentos de outros, com fotos ou imagens tendenciosas isso deve ser condenado.

Sondagens
Há sondagens para todos os gostos!
Não entendo os critérios jornalisticos que levam a apresentar uma sondagem como uma resultado eleitoral: o partido X ganha as eleições!
Parece, a acreditar nas vários estudos de sondagens, que está tudo decidido: o PSD ganha sem maioria absoluta, o PS fica em segundo a pouca distância, segue-se o terceiro, o PP, que formará uma nova AD com o PSD, depois a CDU, a seguir o BE, depois os pequenos partidos, provavelmente sem eleição de qualquer deputado, com uma subida dos votos brancos, nulos e da abstenção...
É o que "está escrito"... Será?
Afinal, são apenas, isso mesmo, sondagens, resultados só domingo à noite!

Programas e temas da campanha
Da competência para cumprir o acordo com a troika, cortar aqui ou ali, despedir mais ou menos funcionários públicos, aumentar ou baixar impostos, privatizar tudo ou quase tudo ou até nacionalizar o resto da banca... temas houve para todos os gostos!

Voto útil
O voto útil é sempre no nosso, sendo inútil nos outros... que democratas!
Segundo alguns um voto num partido sem hipóteses teóricas/históricas de eleger um qualquer deputado num determinado circulo eleitoral é considerado inútil.
Segundo alguns, um voto num partido que não contribua para formar um governo é um voto inútil.
Para evitar estes argumentos e porque defendo a proporcionalidade sou dos que apoiam a criação de um circulo nacional para "aproveitar" todos os votos "desperdiçados". Venha a reforma eleitoral quanto a esta questão!
Por mim o únivo voto inútil é o do abstencionista. É um voto demissionário.

VOTE

Ligações úteis:
http://www.cne.pt/cne-mc/content/legislativas-2011
http://www.portaldoeleitor.pt/Legislativas2011/Eleicao.aspx
http://www.tribunalconstitucional.pt/tc/home.html
http://www.dgai.mai.gov.pt/?area=103&mid=001

Saiba onde votar:
https://www.recenseamento.mai.gov.pt/

Veja os partidos concorrentes no seu círculo eleitoral:
http://www.cne.pt/dl/listas_ar_2011_admitidas.pdf

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sábado, setembro 26, 2009

Eleição para a Assembleia da República - 27 de Setembro de 2009

Acabámos de exercer o nosso direito de voto na Eleição para a Assembleia da República, 27 de Setembro de 2009.

Há sempre boas desculpas para não votar, certamente!

Seja como for, mais uma vez exercemos o nosso direito e dever. 

Iremos arrepender-nos da decisão?

Não sabemos.

No entanto, não será por nós que dirão, mais um voto...

Sim porque um voto conta, todos contam.

A movimentação nas ruas parece interessante, os descontentes e alguns dos mais habituais abstencionistas desta vez votam, conheço alguns.

À noite já saberemos...

Nota:

Iniciámos esta mensagem na véspera. Daí a data.

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